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A VISÃO DE UM JORNALISTA SOBRE O PREFEITO ANTÔNIO MASSEI

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AAAMASSEI

Massei é considerado o prefeito perpétuo de São Carlos

 

Por Saocarlosemrede.com.br

06/11/2017

 

Por Cirilo Braga

Volver a los 17. O primeiro prefeito de São Carlos que conheci pessoalmente foi logo o mais lembrado de todos e denominado “prefeito perpétuo”: Antonio Massei, que governou a cidade nos períodos 1952-56, 1964-69 e 1977-83.

Um aforismo atribuído ao romancista britânico Lawrence Durrell diz que “uma cidade é um mundo se amarmos um dos seus habitantes”. Antonio Massei certamente não conheceu essa sentença, mas comprovou sua verdade.

Massei gostava das pessoas que habitavam a cidade e isso para mim ficava claro nas entrevistas de todas as tardes no palacete Conde do Pinhal, no final de seu terceiro mandato como prefeito. Eu com bloquinho e caneta em punho e ele me passando o relato do dia, terminando cada frase com um “compreendeu?”.

Não parecia estar diante de um homem que vivia o canto do cisne de sua presença no cenário político, tal a vitalidade e o entusiasmo dele. Falava de igual para igual com o menino que eu era – respeitando os órgãos de imprensa que eu representava – primeiro o “Correio de S. Carlos” e depois o opositor “O Diário”. Didaticamente me explicava o porquê de não detalhar a agenda de seus compromissos na Capital, que sempre mencionava “assuntos de interesse do município”. “Entre São Carlos e São Paulo há muito mais coisas que Rio Claro, Limeira, Americana, Campinas, Sumaré e Jundiaí”, dizia.

Uma vez, a caminho do Bar do Arnaldo, onde era comum tomarmos café nas tardes mais calmas, Massei me disse: “Menino, ouça o conselho de um velho político que já tomou muita chibatada no lombo: não confie nem na camisa que você veste”.

Massei me cativava pelo jeito paternal e pelo modo de falar semelhante ao de meu pai, seu contemporâneo, falecido alguns anos antes. Certa vez irritou-se com a impertinência de perguntas que eu fazia em nome do jornal, ante a minha insistência mandou que um guarda me retirasse do gabinete e no dia seguinte desculpou-se. Noutra feita, em resposta a uma reportagem ilustrada com foto sobre um bairro da zona norte da cidade, em que sapequei o título “Um passeio pela rua onde falta tudo”, levou-me para passear durante horas pela região onde ficava a tal rua.

Lá fomos nós em seu Chevrolet Opala cor de vinho, ele de chapéu, numa ensolarada manhã de sábado. Mostrou uma série de obras de urbanização no entorno na Delegacia Seccional de Polícia. Não passamos pela rua da reportagem, mas esse foi apenas um detalhe. Massei me mostrou seu modo de olhar a cidade, me fez ver o seu carisma perante as pessoas que acenavam da calçada à sua passagem, me fez crer que se você leva o progresso para uma região, naturalmente as obras vão chegando. Seria preciso ver o copo com água até a metade como um copo meio cheio e não meio vazio – comum na ótica dos repórteres.

Hoje reconheço que, a seu modo populista, Massei realizou obras, melhoramentos e implantou equipamentos públicos essenciais para pavimentar o caminho que São Carlos escolheria percorrer a partir da metade do século passado.
Sua marca foi o amor não a apenas um dos habitantes da cidade, mas a todos eles, desde a campanha do “tostão contra o milhão” que em 1952 conduziu pela primeira vez à cadeira de prefeito o afável contador da Prefeitura, antigo trabalhador da lavoura no Sítio Casa Branca, do comércio de produtos agrícolas, e da CPFL, ex-aluno Escola Paulino Carlos e da Escola de Comércio Julien Fauvel, marido de dona Terezinha Ríspoli e pai de Neusa.

Walter Blanco, o saudoso ex-diretor da Escola Paulino Carlos, mostrou-me certa vez o diário de classe com o nome de Massei quando aluno da 1ª.série do Grupo Escolar no ano letivo de 1914. Dona Neusa, sua filha, me presenteou com uma fotografia tirada no salão nobre da Prefeitura, em que aos 17 anos – “menino” como ele me chamava – apareço ao lado de um tranquilo Antonio Massei.

Lembranças do prefeito emérito que dá nome ao Mercado Municipal que inaugurou em 1968 e à Galeria dos Prefeitos no paço municipal. Sua marca de “tocador de obras” figura nas obras surgidas ao longo de seus três mandatos: o primeiro pronto socorro municipal, o estádio do Luisão, a EMEI Cônego Manoel Tobias (ele implantou a rede municipal de ensino), a rotatória da Praça Itália, o Viaduto 4 de Novembro, a Casa da Cultura, o Terminal Rodoviário. E também na regularização do abastecimento de água, com a captação no ribeirão Feijão, a doação de área para o campus I da USP, a construção da SP-318, estrada para Ribeirão Preto.

Nada como o correr do tempo para trazer uma visão mais nítida sobre a história. Rever hoje a imagem de Massei na foto em preto e branco é estabelecer conexão com outro tempo, diferente de agora, porém igual na essência de compreender que o futuro, esse desconhecido, será um tanto melhor se pensarmos que ele já começou.

O mundo de Antonio Massei, a cidade que amou, se despediu dele no verão do ano de 2000, não sem notar que o habitante da casa da rua Episcopal, ao lado do Colégio São Carlos, jamais enriqueceu.

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