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Saocarlosemrede.com.br
27/12/2017
O que era para ser um monumento para São Carlos e uma homenagem à família Facchina está repleto de mato e abandonado. O chamado Parque da Chaminé que deveria ser um dos cartões postais de São Carlos não está sendo bem cuidado pela Prefeitura. O descaso é evidente e para piorar ainda mais a situação o monumento que representa a indústria da cidade foi alvo de pichação como se pode ver nas imagens.
Nas calçadas em volta do Parque da Chaminé está impossível andar. A quantidade de mato existente na região é tamanha que ele já tomou conta praticamente de toda a calçada dos dois lados da rua. As touceiras de um lado já estão chegando na ciclovia e a quantidade de lixo que se acumula nos bueiros é gigantesca.
Muitas pessoas que fazem caminhada nessas calçadas estão irritadas com o desmazelo em que se encontra o complexo. “A cidade inteira está um lixo, mas quando passo por aqui sinto ainda mais, pois esse já foi um lugar bonito e bem cuidado”, disse Paula Lima, estudante.
Para ela, fazer qualquer tipo de exercício ou mesmo passear com um animal de estimação no parque é difícil. “Não dá para o cachorro esticar os pés na grama, o mato é gigante e a Prefeitura não faz nada”, afirmou.
Para se ter uma ideia do tamanho do descaso, basta olhar os bancos que foram “comidos” pelo mato. Uma pena, pois o Parque da Chaminé poderia ser bem melhor cuidado.
Parque homenageia industrial e foi inaugurado em 2008
O Parque da Chaminé foi entregue à população em 2008 pelo prefeito Newton Lima. Os investimentos no complexo giraram em torno de R$ 3 milhões. Desse valor, R$ 147 mil foram destinados pelo senador Aloizio Mercadante (PT), por meio de emenda parlamentar. Os deputados petistas Arlindo Chinaglia e José Eduardo Cardozo destinaram verbas de R$ 500 mil e R$ 293 mil para a obra, respectivamente.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) investiu mais de R$ 588 mil e o Programa Reluz, cerca de R$ 175 mil em obras de iluminação. A Prefeitura investe R$ 1,1 milhão distribuídos em R$ 551 mil como contrapartida, R$ 480 mil em desapropriações e R$ 80 mil em defensas metálicas e sinalização. O governo estadual repassou R$ 200 mil, através de uma emenda do deputado Mário Reali. O Complexo Viário Parque da Chaminé tem 1,3 km de extensão.
Quem foi Carlos Facchina
Nasceu em Gênova, na Itália, em 1876. Veio para o Brasil em 1883. Instalou o primeiro motor elétrico em São Carlos e, depois, a primeira fábrica de gelo do interior do Estado, e em companhia de sua mulher, Adélia Facchina, fornecia gelo gratuitamente para a Santa Casa de São Carlos e também da região, pois naquele tempo o gelo era muito usado nas cirurgias.
Mais tarde, prosseguindo com seu espírito industrial, Carlos Facchina instalou em São Carlos uma torrefação de café e ao mesmo tempo uma fábrica de salame e mortadela. Em 1914 montou a primeira fábrica de cola animal da América do Sul. Nesse mesmo ano montou a primeira fábrica de adubo fosfatado do Brasil, sendo na ocasião taxado de “louco”, pois os lavradores da época achavam que as terras brasileiras nunca iriam necessitar de adubos.
Chegou a oferecer adubos aos lavradores gratuitamente e os mesmos recusaram, alegando que a terra não necessitava. Carlos Facchina residiu no Brasil cerca de 83 anos. Em São Carlos foi presidente da Sociedade “Dante Aleghieri”. Quando da construção do complexo viário, a Prefeitura de São Carlos fez questão de preservar o símbolo da indústria de Facchina, a chaminé.