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15 DE NOVEMBRO PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA

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AAACIRILOI

 

AAACIRILOII

Por Cirilo Braga

15/11/2017

 

Nós quem, cara pálida? Monarquista, São Carlos virou a casaca na proclamação da República

Rompendo o marasmo de uma sexta-feira de primavera, ali pelas cinco da tarde alguém chegou à redação do jornal “O Movimento” berrando: “Parem as máquinas! A Monarquia caiu!”.

Cincinato Braga descreveria no Almanaque de São Carlos de 1928 o que se passou por aqui no dia 15 de novembro de 1889: “Era de tais proporções a surpresa com a notícia telegráfica da proclamação da República no Rio de Janeiro que boa parte da população da cidade não acreditou; os próprios partidários republicanos duvidaram de sua veracidade”.

São Carlos do Pinhal tinha entrado no mapa apenas cinco anos antes, com a chegada da ferrovia. Os laços com a Monarquia eram fortes, tanto assim que o Imperador havia feito uma visita à cidade em 1886, quando foi recebido com um foguetório e “entusiásticos vivas” como relatou outro jornal local, “O Oitavo Distrito”.

Dá então pra imaginar o impacto da notícia que correu de boca em boca antes mesmo que os despachos telegráficos da noite daquele dia 15 confirmassem o “importantíssimo sucesso” da instalação do novo regime. Em outras palavras: do golpe militar liderado pelo marechal Deodoro da Fonseca, um destemido alagoano.

Como nos mais surrados roteiros de filmes épicos, o mesmo povo que havia recebido o Imperador com flores pelas ruas enfeitadas com arcos, palmeiras e bandeiras, agora fazia festa para celebrar sua queda. “Sem demora o som da Marselhesa percorreu as ruas da cidade, no meio de indescritível entusiasmo”, relatou Cincinato. “Numerosa multidão levantava vivas à República e aos vultos mais salientes do partido republicano”.

No dia seguinte as manifestações de satisfação popular continuaram no teatro da cidade. Que povo festeiro! A euforia geral produziu uma barulhenta passeata “ao som de hinos patrióticos, pipocar de foguetaria, ao estourar frequente de bombas retumbantes”. Quando a turba passou em frente à Câmara Municipal o sentinela da cadeia que funcionava no mesmo prédio, na praça, fez continência à bandeira republicana apresentando as armas. Quem testemunhou os fatos se esqueceu de notar se os negros recém- libertos engrossavam as manifestações.

Seria curioso observar os manifestantes: eles fariam antever o futuro do Brasil republicano, com uma característica que se repetiria em todos os eventos agudos da vida política nacional: o adesismo aos que chegam ao poder – traço de brasilidade que naquele instante da história resumiria outros momentos de euforia ao longo do regime republicano.

O naufrágio da Monarquia seguira o padrão verde-amarelo, o modelito “made in Brazil” de todos os naufrágios históricos: descontentamentos da Igreja, dos militares e da classe média e ambição dos ruralistas – leia-se cafeicultores, de abocanhar o poder político (o que de fato aconteceu) e a imprensa como caixa de ressonância de todos eles. Por sinal, esse caldo entornaria a sopa da história em inúmeros outros eventos que os críticos haveriam de chamar de golpe.

Fosse hoje talvez houvesse algum movimento. “Haters” se mobilizariam no Facebook, o fake news explodiria e a palavra “república” estaria nos trendings topics do twitter a partir das cinco da tarde.

O sentinela nem precisaria bater continência para a passeata: todos – do frentista do posto ao gerente da fábrica – saudariam a ocasião, senão por nada, pelo bom motivo de que todo 15 de novembro passaria a ser feriado nacional.

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